Era como se apagassem as luzes e a última pessoa saísse do auditório... o show, o brilho, a ternura e os movimentos já haviam ficado há tempos num passado que teimava em ser presente... doía-lhe o peito como se tivesse engolido a sua própria estrela, a mais alta do céu... como se suas pontas, que antes tocavam-lhe suave a pele, agora a rasgassem, a cada lembrança, a cada foto, a cada música... tudo agora transmutava em dor através dos seus olhos, ouvidos, mente e peito...
Não que não gostasse mais de estar ali, próximo a luz do sol: adorava... mas agora esse mesmo sol não precisava tanto dele quanto antes... e agora, vinha a noite e seus pesadelos mais terríveis... sozinho na cama, sentia aquelas palavras sinceras, que soavam como um sino budista, liquefazerem-se em sal vertido num rosto sem graça e ainda maquiado em um dos últimos sorrisos...
Queria entender onde havia errado... pensara em várias causas, mas houve o argumento de que isso aconteceria por causa de um canalha, independente do que se fizesse. Quer dizer, assinou um contrato tácito de felicidade temporária a la Vinícius...
Sua impotência e feiúra agora respondiam por tudo...
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Fim.
Por
Alberto K.
, escrito em
08:07
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Sonne
Frágil beleza:
gotas de sol dourando
o entardecer.
(autor desconhecido)
Por
Alberto K.
, escrito em
02:43
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domingo, 4 de dezembro de 2011
Dificuldades
E por ele não falar com ela, foi que ela quis falar com ele...
E por ele não dar atenção a ela, ela quis que ele lhe desse atenção...
...junto com algum mistério inerente aos corações sujos.
E assim vai o mundo, na busca dos inacessíveis.
Vive-se de dificuldades, na medida da capacidade de fluidez da potência dentro de nós.
Por
Alberto K.
, escrito em
23:54
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Poente
Brilhava num resplandecer dourado e alto.
Trajava sonoridades que os olhos degustavam lentamente, como os aromas de fino trato táctil, desejosos de tornarem-se lembranças futuras ao som da meia-noite, enquanto no estar mergulhado na solidão necessária.
Num longo ósculo oblíquo, ostentava as serenatas suaves que emanavam vontade delicada de existência, que nunca se creu realmente. Mas ali, agora, era.
Afrodite possível, se quisesse, teria um coração inocente entrecortado nos seus dedos.
Ele sonha e luta para que os dois sóis se ponham sobre os dois oestes.
Por
Alberto K.
, escrito em
01:41
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sábado, 10 de setembro de 2011
Sequóias
Digam a ela que amou-a um pouco.
Por que amor não é aquilo que vem do nada e fica... amor é como tudo na vida, que é construído.
É aquilo que tem tons de mãos quentes nos dias frios de inverno.
Que tem gosto de azul numa tarde cinzenta de olhar cúmplice, pela culpa sobre o ato de insistir na vida.
Que se entrelaça entre os dedos e parece não querer desatar sem fazer força.
Que floresce sobre uma boa conversa numa tarde morna.
Que um e o outro decalcam sobre as tristezas e dúvidas.
Muito mais que qualquer paixão.
Agora é noite e logo mais clareia de novo.
Por
Alberto K.
, escrito em
07:55
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