Ele era preto.
Apesar de nos dizerem que ele valia 50 centavos numa feira qualquer, de alguma forma, depois do último salto, a criança dentro de mim quis transcendê-lo do corpo rijo e inerte para o passado de subir e descer que lhe caracterizava inteiramente a sua beleza.
Pensei comigo se deveria ignorar isso. Considerei que não.
...os dias do vermelho se tornaram menos sociais.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
O preto que subia e descia
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Alberto Kawai
, escrito em
11:05
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
A Nova Idéia foi-se embora
A pseudo-cefaléia dançava ao lado do sol que parecia estar dentro de mim, queimando o resto de esperança pela Musa.
E não se deveria esperar, como nos filmes, que Ela se separasse agora d'Ele. A angústia reverberava nas conversas e soava no altar das Novas Idéias. Mas ele agora parecia ter implodido, pela influência psicossomática negativa exercida pela terrível palavra de nove letras, letal, direta e impiedosa. Seria um desencontro?
Otimismo demais.
Acho que isso deveria soar como a certeza que propicia uma outra dança. Mas ainda assim, dói pela perda (como um jogo, como todas as relações humanas são) e pelo fim da dúvida daquilo que eu tinha certeza.
Adeus Nova Idéia.
Que venham novas idéias, menos doces, mas mais etílicas.
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Alberto Kawai
, escrito em
10:21
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Sufocamento
Toda semana ele perguntava a ela sobre quando poderiam sair e lhe contava sobre suas viagens e suas idéias.
E ela nunca podia sair, apesar de parecer gostar de lhe ouvir. Um dia, ele resolveu mudar.
Pensou que ela deveria respirar e que não deixá-la fazer isso descaracterizaria as vontades dela.
Hoje, ele que está esperando ela ligar.
Mas acho que isso não será feito.
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Alberto Kawai
, escrito em
23:08
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
Sete palmos são sete palmos
Era uma pessoa tímida, que alguma espécie de medo ao contato com o próximo a impedia de realizar seu desejo mais profundo: encontrar sua alma gêmea. Imagem esta já bem formada, de um moço de cavalo e intenções brancas. Um dia ela encontrou um demônio montado num dragão e quis mudá-lo. Ela apanhava todo dia.
De desgosto, morreu cedo.
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Alberto Kawai
, escrito em
10:14
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Tropa ignóbil
O ranço que escorria do pessimismo ignorante se refestelava dentro das suas bocas.
Teus risos unilaterais, monologantes, parecem até justificar o doce gosto que vem dos podres e infestados pensamentos imediatistas, alienados, que insinuam o tom dos clichês que se atribuem aos que se esforçam por não cair na velha conversa da verdade absoluta (Foucalt que o diga!): inocentes, idealistas, extremistas, radicais, "socialistas", "anarquistas" (e muito mais outros movimentos políticos estereotipados pela tacanhez, alheia a compreensão dos processos)... mas, sabe, estes teus chicletes não passam de angústia disfarçada de escudo brilhante.
A sutileza linguística eram uma das suas armas: tratavam de diminutivar na mesma proporção do tamanho da sombra que sua soberba fazia pairar sobre os outros. E era assim: não ousasse ninguém captar essa manobra mental, por que senão o manjado discurso da não aceitação de opiniões emergiria.
Claro que, com menos do que o próprio cérebro, não era muito complicado compreender a demanda do pisar alheio: é a velha história de ser a partir do não-ser dos outros.
Será que a escuridão só existe na medida em que não há luz?
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Alberto Kawai
, escrito em
12:24
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