Ela adorava ele, seu jeito sincero, que ninguém substituíria nunca... mas, às vezes, caminhos que podem afastar as pessoas dos seus semelhantes são, inadvertidamente, escolhidos. E ocorreu que um dia um se perdeu do outro e foram se encontrar somente na dor da morte.
Mas poderosos místicos continham conhecimento suficiente para torná-lo vivo novamente. Tomariam um pedaço dele e refariam o corpo todo. Só que a condição que os místicos lhe impunham era de que ela viveria cada vez menos intensamente sua vida, por que as unicidades destas chances seriam perdidas em cada um desses processos.
E ela, não entendendo completamente o significado da condição, disse que aceitava. Praticamente como assinado o processo, iniciaram os místicos toda gama de alquimias logicizadas. Em alguns dias, milagrosamente, foi como se seu amigo houvesse voltado, sem que nunca houvesse mergulhado para sempre em um mundo de memórias somente. Estranhamente, ela se sentia um tanto confusa em já ter visto aquela cena, mas parecendo ter um sentimento diferente.
Passam-se alguns dias e, como se estivesse presa num ciclo infinito, novamente, escolheu caminhos que lhe tomaram longe de seu amigo (e isso foi mais rápido que antes); dentro do mesmo ciclo também, ele morreu.
Chorando sobre o corpo morto, rogou aos alquimistas lógicos novamente o processo, ao passo que, na mesma medida da secura das condições, seca foi a resposta: foram dadas as condições. Aceitaste-as, não há o que discutir.
E não havia mais nada o que fazer: enquanto caía a noite, como sempre ocorreu, ela re-velava o corpo morto, mas sem revelar-se.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Fenixidade falsa
Por
Alberto Kawai
, escrito em
00:55
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Marcadores: angústia
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Eolos
Atravessei de uma janela a sul
à uma janela ao norte
como um prenúncio de chuva.
Atravessei algum vago lugar
de alguma saudade,
a sentar calmo à beira do lago.
E atravessei convictamente
como um ser trágico,
que afirma o presente
e apenas sorri ao passado,
sem ressentimento.
Atravesso a vida,
sem transcedência,
para viver de verdade.
Por
Alberto Kawai
, escrito em
00:39
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Marcadores: poesia
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
O preto que subia e descia
Ele era preto.
Apesar de nos dizerem que ele valia 50 centavos numa feira qualquer, de alguma forma, depois do último salto, a criança dentro de mim quis transcendê-lo do corpo rijo e inerte para o passado de subir e descer que lhe caracterizava inteiramente a sua beleza.
Pensei comigo se deveria ignorar isso. Considerei que não.
...os dias do vermelho se tornaram menos sociais.
Por
Alberto Kawai
, escrito em
11:05
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
A Nova Idéia foi-se embora
A pseudo-cefaléia dançava ao lado do sol que parecia estar dentro de mim, queimando o resto de esperança pela Musa.
E não se deveria esperar, como nos filmes, que Ela se separasse agora d'Ele. A angústia reverberava nas conversas e soava no altar das Novas Idéias. Mas ele agora parecia ter implodido, pela influência psicossomática negativa exercida pela terrível palavra de nove letras, letal, direta e impiedosa. Seria um desencontro?
Otimismo demais.
Acho que isso deveria soar como a certeza que propicia uma outra dança. Mas ainda assim, dói pela perda (como um jogo, como todas as relações humanas são) e pelo fim da dúvida daquilo que eu tinha certeza.
Adeus Nova Idéia.
Que venham novas idéias, menos doces, mas mais etílicas.
Por
Alberto Kawai
, escrito em
10:21
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Sufocamento
Toda semana ele perguntava a ela sobre quando poderiam sair e lhe contava sobre suas viagens e suas idéias.
E ela nunca podia sair, apesar de parecer gostar de lhe ouvir. Um dia, ele resolveu mudar.
Pensou que ela deveria respirar e que não deixá-la fazer isso descaracterizaria as vontades dela.
Hoje, ele que está esperando ela ligar.
Mas acho que isso não será feito.
Por
Alberto Kawai
, escrito em
23:08
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