Foto: sxc.hu

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Mais do que o necessário

O sapato que está aqui a minha frente, não é o mesmo sapato que está agora, debaixo da minha cama.

À parte de considerações físicas, esses sapatos nunca serão iguais. É quase certo que se considerará que apelos à sua utilidade provavelmente servirão como conclusões primárias acerca do que é um sapato, apesar de, mesmo assim, estarem essas idéias embebidas do forte odor de construções mentais; que o odor é forte decorre desse jeito meio cambaleante de raciocinar.

E se essas afirmações beirando à absurdez (devido, talvez, a desnecessidade disso, dado que saber se há um sapato platônico ou não, nada nos acresce), fossem estendidas à formação dos sujeitos, do universo e idéias mais entranhadas nas nossas mentes, com construção "real" quase um pouco mais que impossível?

Dado que os homens não são sapatos, e, aliás, são mais complexos que estes, por que haveria de existir uma representação abstrata, pré-concebida das construções sociais, que caracterizaria-se como formador de todo o ser humano?

A necessidade, realmente, não cabe...
...me parece.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Mães

Há uma certeza: que todo rio desagua na inevitável queda.

À parte de se crer nisso ou não, primeiro se cairá.
No colo da Grande Agiota (que cobra um juro muito alto), lições importantes podem ser tomadas, dessa outra mãe que nunca se sai dos braços e que, ao final do rio, volta-se, cansado, para dormir uma vez só...


Por que, enquanto se corre, ou quando se aventura no rio inevitável, vê-se os mais fracos sendo levados (por que é mais fácil ou por que não lhe há pedras no meio do caminho), inconscientemente, para a obscura queda ao final... e estes, que sucumbem, se constituem talvez num magnífico quadro de visão ampla do rio, como um mapa de onde haverão pedras (que, quanto mais irremovíveis, mais ajudam a manter-se no rio!) e onde a correnteza é muito forte ou se há outros para se unir e ir juntos contra o fluxo temporal. 


Os rostos agônicos que passam por nós involuntariamente, cansados, dizem o quão fortes deve-se ser... 
o rio é invencível... mas a força também é infindável na medida da vontade.


E... antes de querer-se não pagar a dívida (por que não existe essa possibilidade), deve-se aproveitar o melhor possível o empréstimo dado por essas duas mães.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Iconoclastia

Numa estranha melodia, juntavam-se: 


pretensa humildade filosófica, através da negação da detenção do conhecimento e até mesmo do conhecimento da realidade e a nada humilde pretensão sobre sua capacidade cognitiva e sobre o valor dos seus conceitos e opiniões.


Curiosamente, não parecia servir para mais do que fazer a taxonomia espiritual, que lhe punha valores de pretensa elevação... Como ironia recursiva, qualquer tentativa do famigerado ser de arranjar uma maneira de se desculpar depois de excomungar da sua religião qualquer ser que ele considerasse inferior, tornava-se inócua.


...e no final das contas, todo mundo veste o mesmo traje duro, não importando qual camisa ou saia nos vistamos, se cremos que saíremos dançando do traje ou que borbulharemos dentro dele.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Go!

Os vermelhos deslocavam-se no mais profundo breu dos corações azuis. Estes não tinham nem idéia do que estava acontecendo e foram surpreendidos com um ataque em cheio.

Se age-se como um vermelho, fica clara a famosa frase:
"Veni, vidi, vici"

A pior coisa é a estratégia em aberto.

domingo, 11 de julho de 2010

Se a vida é uma folha, o amor é uma pluma

Ofegante, tu correste, criança (pois é assim como se vêem os atos imberbes) por que tinhas medo que o fim da correnteza chegasse, que depois se concretizasse o maior dos pesos dos seres viventes, que o teu segundo coração sangrasse nas mãos erradas, que teu segundo coração achasse a falta de cores cinzeza de espírito, que... a poesia se confirmasse seca e fria...

Vieste transpirando e, sem querer (por que ninguém quer isso!), sopraste a pluma! Com tanto cuidado que carregaste e a pluma, que tu decoravas... voou!

E agora, vestes a fronte baixa, e se te ilumina, é da luz fraca da esperança já opaca, por tanto tempo intermitente a funcionar!...

Acorda-te!

Pois você não é mais o infante tal qual se imagina!

Acorda dessa letargia e considera que ainda não lhe chegou o maior dos pesos! Se agora dói seu peito, esteja feliz, por que as mais altas torres da felicidade erigem-se triunfantes sobre a chaga passada!