Foto: sxc.hu

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Visão

Um não: Um critério é impossível.
Ou seja, no mínimo, dois: Mas que não haja bipolarização bem definida.
Apelemos para o três: por que a média medida é estritamente necessária.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Resolução

As facas que ferem os homens também lhes corta o pão.
Assim como da raiva estúpida pode surgir a reflexão, e da tristeza, o valor daquilo que se tem.

Basta lembrar do valor único da vida e do pragmatismo mínimo.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Implícito

Há no mundo: o amor e a dor.
(Só se dá outros nomes para o amor e a dor por que eles não são tão pequenos para caber em poucas letras.)
Todas as outras coisas são conseqüências ou são elas mesmas:

Se não se tem amor, buscam-se coisas parecidas para ocupar de novo aquele vazio que fica.
Se não se consegue repôr totalmente, a dor logo vem.

Apesar de que, a dor vira amor, se olharmos bem.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Para que tanta correção... há de se dizer e pronto, oras.

Num ato de sinceridade extrema, a moda da loucura dionisíaca de Nietzsche, bato meus cotovelos nas teclas do piano e declaro que partiu da realidade dos meus versos e se tornou alçada a categoria de beleza platônica, a que nunca deixou de ser platônica... (num contexto platônico... a ressoar como pastelônica história recursivo-tautológica.)


Novamente, ressabiada, a old idea me percorre a espinha, até atingir meus olhos, até o momento em que ela, ali, se mutava em desculpas.
É como se nunca houvesse havido as tais das New Ideas... Cada fim desse é como o ressoar dos trompetes ao fim da sinfonia, avisando a massa imberbe que é hora de aplaudir.
A poesia atravessava meus olhos como num filme de morte, a beira de túneis com luz no fundo... mas, tolos, não há luz alguma...
A vida é o próprio túnel escuro.

Há ainda a vontade, como o pilantra do Tchaikovsky resolveu uma vez, de não dar o gostinho de gritar "bravo" depois de pronunciar a palavra "escuro"... pois então, por que haveria de dar esse gosto? Além do que, há de se cuidar sobre o que dirão por aí: olha, aquela obra foi... óbvia? Tan-tan aqui, tun-tch-tan lá (a maneira dos pseudo-ouvintes... nem sabem o nome do que lhes tocam)...

Pois sim: após a torrente de sinceridade, que foi acompanhada por uma cascata de palavras, e dedos trêmulos... o furor do melindre tomava meus olhos... e corroía tudo... e pingava fora... e atropelava as palavras...

Me perdi até das palavras...
ah..
estou a ponto de...
Me verter...
Como um precipício dentro de mim mesmo...
Infinitamente...
Como, naquele mito...

De Sísifo empurrando a pedra..
Ele empurrava ele até o alto...

E via ela cair...
E de novo, lá embaixo...
Empurrava de novo...
E via ela cair...
E sempre...
Há quem diga que ele via ela cair até com prazer...
Diabo de existencialistas...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sorriso

Sempre sorria.

Outra vez, quando me olhou, sorriu.
Perguntei: que foi?
Disse: nada! - e sorriu

Eis uma poesia hiper-hermética aos olhos, mas totalmente ritmada com o momento, entoada numa despretensão heptassilábica, sobre a beleza das coisas aparentemente sem motivo e inalcançável aos insensíveis (mas alçando altos vôos através dos trompetes mahlerianos de um hino ao triunfo sobre as vicissitudes):

quatro letras e dois belos sorrisos!