Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma…
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar extático da aurora.
Vinícius de Moraes
domingo, 28 de novembro de 2010
Ternura
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Alberto K.
, escrito em
20:27
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terça-feira, 16 de novembro de 2010
Bússola
Nem ele mesmo creu.
Mas foi lá, e acompanhou-a por apenas dez minutos, até sua casa, mesmo tendo viajado duas horas somente para isso, desnorteadamente:
- Vc é doidooooo! - exclamou ela.
Um coração selvagem bateu mais forte.
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Alberto K.
, escrito em
23:45
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Marcadores: amor, texto-minuto
domingo, 7 de novembro de 2010
Microtextura
Há uma parte do mundo que está escrita de forma oculta a certos olhos...
a sensibilidade aos supostos pequenos movimentos desvela a sutil camada que abriga muito do complexo emaranhado de angústias, alegrias, incertezas e tudo aquilo que molda o ser humano, sendo que o próprio desvelamento já era metadesvelamento...
De um ouvido surdo, pelo constante contato com a reificação pragmática, não ouvia-se o passar por cima das vontades, de esquecer do homem e só lembrar das estruturas...
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Alberto K.
, escrito em
15:02
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Marcadores: espelho, reificação
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
No caminho do chicote, andam os que nascem para morrer...
Não aceitaria ajuda que lhe largasse sozinho.
Poucas palavras, muitos significados.
Explicar demais é matar poesia.
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Alberto K.
, escrito em
02:34
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Marcadores: reificação, texto-minuto
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Leitura construtiva
"Então, o que aconteceu a um certo Zatesky, da forma descrita por Lurija, aconteceu comigo: tendo perdido parte do cérebro durante a guerra, e com essa parte do cérebro toda a memória e a capacidade de falar, Zatesky, no entanto, era capaz de escrever: assim, sua mão escrevia automaticamente todas as informações que era incapaz de pensar e, passo a passo, reconstruía sua identidade ao ler o que escrevia."
Umberto Eco, em "Interpretação e Superinterpretação", pg. 103
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Alberto K.
, escrito em
08:58
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