Nem ele mesmo creu.
Mas foi lá, e acompanhou-a por apenas dez minutos, até sua casa, mesmo tendo viajado duas horas somente para isso, desnorteadamente:
- Vc é doidooooo! - exclamou ela.
Um coração selvagem bateu mais forte.
O que se faz de grande faz-se em silêncio. (Erik Geijer)
Nem ele mesmo creu.
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Alberto K.
, escrito em
23:45
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Marcadores: amor, texto-minuto
Há uma parte do mundo que está escrita de forma oculta a certos olhos...
a sensibilidade aos supostos pequenos movimentos desvela a sutil camada que abriga muito do complexo emaranhado de angústias, alegrias, incertezas e tudo aquilo que molda o ser humano, sendo que o próprio desvelamento já era metadesvelamento...
De um ouvido surdo, pelo constante contato com a reificação pragmática, não ouvia-se o passar por cima das vontades, de esquecer do homem e só lembrar das estruturas...
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Alberto K.
, escrito em
15:02
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Marcadores: espelho, reificação
Não aceitaria ajuda que lhe largasse sozinho.
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Alberto K.
, escrito em
02:34
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Marcadores: reificação, texto-minuto
"Então, o que aconteceu a um certo Zatesky, da forma descrita por Lurija, aconteceu comigo: tendo perdido parte do cérebro durante a guerra, e com essa parte do cérebro toda a memória e a capacidade de falar, Zatesky, no entanto, era capaz de escrever: assim, sua mão escrevia automaticamente todas as informações que era incapaz de pensar e, passo a passo, reconstruía sua identidade ao ler o que escrevia."
Umberto Eco, em "Interpretação e Superinterpretação", pg. 103
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Alberto K.
, escrito em
08:58
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Marcadores: escrever
Não era desejado com furor, estando longe de ser um grande galã.
Não era admirado, como grandes gênios.
Não era visto como um ator, de grande plasticidade social.
Não era considerado funcionário do mês, nem pelos clientes e nem pelo seu chefe.
Não era destemido, para que lhe reconhecessem a coragem.
Nunca projetou sua sombra com grandes realizações sobre outras pessoas e nunca foi essencial, a não ser a si mesmo.
Mas ainda assim, estava vivo, e não sendo nada do que foi dito, ainda assim, por saber disso, aceitava, enquanto soubesse que, realmente, aquilo tudo não importava para ser tudo o que era agora e o que queria ser. Não que não pudesse (não se sabe se poderia, a não ser a princípio), mas via que sentir-se incompleto por aquilo tudo é que lhe daria incompletude real.
Aliás, foi na afirmação da negação é que se firmou o modo de afirmar-se.
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Alberto K.
, escrito em
00:49
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