Foto: sxc.hu

domingo, 2 de maio de 2010

Desilusões: IV - Crepúsculo da vontade

Era um rapaz com 26 anos. Pretensões de querer de alguma forma mudar as pessoas permeavam boa parte das suas idéias: desejava que as pessoas se educassem, para que elas mesmas buscassem resolver seus problemas sem precisar da mão estendida a oferecer a ajuda fundamental, tanto para resolver quanto para minar cada vez mais as chances de crescimento daquele que se ajudaria através da rancificação da vontade própria do mesmo.

Mas, talvez, as idéias, com o tempo, começariam a soar opacas e amareladas, quase se fundindo ao fundo da gaveta e àquelas lembranças vagas, com cheiro de grama da infância... Agora, provavelmente, ainda haja um reluzir, como um velho relógio que tenha parado, mas que talvez, seja boa parte de um passado coerente e nada mais que isso...

Parece que não só as células que se degeneraram, mas também a esperança. Quiçá haverá de vir a próxima geração para soprar o pó acumulado por comodidade sobre as esperanças, para bradar o estandarte da vida e tentar amanhecer a geração anterior para novas idéias e novas esperanças.

domingo, 25 de abril de 2010

Irreal, surreal, transreal

Não se ocupe de correr atrás da realidade, pois é como correr atrás de fantasmas.

É claro que talvez surja então a vontade dizer que há é só alienação de filhotes de burgueses preocupados com a rotação das coisas em torno de si... mas e o que os não-filhos de burgueses diriam sobre a realidade? Que não seria menos que realidade a real dor de não ser considerado digno a ponto de não ter o que comer? Que seria não menos que real a realidade de trabalhar duro para ganhar pouco?

...sentimentalmente belo, mas objetivamente inócuo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sobre o silêncio

Abrem a boca para alardear os velhos clichetes, que julgam ser bonitos ou conter algum segredo do universo. 

Em si, são hermetismos ocos, como uma bola de ouro, de camada muito fina. A distância, reluz, ofusca, supreende e atrai. 

Os olhos menos míopes e mais rapinosos estralhaçam tais esferas brilhantes com garras racionalmente menos frágeis.
Mas antes de se lançarem, sozinhas, no penhasco, há o silêncio e a observação, sempre.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Desilusões: III - da pretensão sobre o ato

Achando que era o suficiente para ser considerado voluntário apenas fingi-lo (desculpe Pessoa, mas aqui não dá!), não conseguia fazer mais do que ser um voluntarioso, enxertando seu oco atitudinal com receitas de bolo sobre a existência.

Que fique claro: as instituições são formadas de pessoas.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Desilusões: II - Da etnia

Nem japoneses, ingleses, brasileiros ou africanos.
Humanos, quando valem a pena, estão acima da bobajada patriótica.