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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Renovação

Outra coisa a se dizer, é que, depois de ler alguns livros da coleção da Folha sobre arte, comecei a perceber a forma como os artistas se comportavam perante a natureza... e comecei a pensar sobre isso comparando com uma época em que comecei a parar de ouvir a 6a sinfonia de Beethoven só pelo fato dela ter temas da natureza e eu não me considerar tão ligado à ela assim... mas depois de ter folheado os livros, vi que a idéia não é só essa. Tem bastante a ver com o fato de que era na natureza que eles buscavam a resposta para as suas inquietações. Bom, pelo menos me livrei do Adagio de Albinoni (se bem que, ele sempre volta; é o que parece)...

"Perfeccionistas"

Acho que tem se tornado formal demais esse blog. Seria muito mais razoável ele ficar mais pessoal (hum, quer dizer, contraponho formal x eu?...); há algo até engraçado que me ocorreu, ao ver uma descrição no orkut de um certo indivíduo, que me proponho a contar, desde que considero que valha a pena: na descrição, o moço dizia sua idade, qualidades e em defeito estava bem assim: perfeccionista. Oras, querer fazer o melhor possível agora é algo ruim... e aqui é que reside a graça: é óbvio que o lado ruim do perfeccionismo é que talvez se demore demais para concluir um trabalho por causa do esmero com que se faz as coisas... mas, e veja bem isso, é engraçado pensar que a intenção é passar aos outros que o defeito dele não é totalmente algo ruim e, na verdade, é mais qualidade que algo deficiente nele próprio... é como se se dissesse: "ah, o meu defeito é que sou bom demais...","o meu defeito é que eu não tenho defeito" (e isto soa bem paradoxal...); como essa gente se agüenta?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Sobre a morte de um amigo

Curiosas essas coisas que acontecem com a gente: você lê um livro interessante, onde é exposta uma teoria que diz que o homem não transcende seguindo estritamente sua moral, por que não passa de valores criados por ele mesmo. Você concorda. Você matuta um pouco e percebe que, por exemplo, as pessoas que se dizem estritamente sinceras (nunca são... que piada), que odeiam a hipocrisia, então, não transcendem. Assim, você deduz que a sinceridade é algo que pode ser bom, mas estritamente falando é inútil (e não é em sentido pragmático não, é que não vai muito longe, principalmente quando você não sabe de que verdade está falando).

Imagine que você, com essas idéias, possua um colega que acabe pisando nos outros e sendo muito hipócrita com outros colegas seus. Ora, sendo coerente, você diria: eis, eis, eis! A teoria que me apresentaram não é a estrutura inerente à situação que se passa diante dos meus olhos, como uma anedota? Mas vejamos o que acontece realmente: uma ânsia inexplicável invade seu bom-senso e você começa a imaginar que canalha que aquele seu colega é! (Vemos que uma situação simples se converteu em uma ironia brusca e sem piedade.) O mundo que já era instável, sempre mutável, implodiu e pareceu que a descrença tomou conta da lógica instabilidade. A instabilidade era racional mas a crença na estabilidade era irracional.

E antes fosse por amor! Realização profissional é muito menos justificável. Eu não compreendo como pode ser assim. Tramóias, mentiras, calúnias para isso?
A transgressão é dos valores, não das pessoas. E ainda você veria claramente o ser transgressor com um livro de Nietszche na sua mão... você riria, obviamente... será que é isso que acontece então? Talvez eu ria agora e diga: bom, ele ficou assim... quer dizer, eu entendi então o livro? Bom, dizer que não sucumbiu só por que não ficou igual ao que sucumbiu já é querer transcender em cima dos erros dos outros, é como construir um Palace 2...

Conclusão: acho que isso sempre acontece mesmo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Os montadores

Veio aqui em casa um indivíduo montar uma mesa que minha mãe havia comprado. Há muito tempo que passava na minha cabeça o que seria um "montador de móveis": um exímio conhecedor de todo tipo de móvel, suas características técnicas e até mesmo estruturas abstratas, algo como classes de móveis, cadeiras, guarda-roupas... talvez até mesmo hiperestruturas... Mas voltemos. Depois de um tempo me toquei que isso não era bem uma profissão, algo com uma ética própria, CRMM (cadastro para montadores de móveis), associação etc. É bem na verdade um desses empregos esporádicos que a maioria dos mortais pode preencher os pré-requisitos (eficiência, sagacidade e extrovertimento? Não, não): querer ganhar um salário justo ou menos e trabalhar sem reclamar demais. Talvez há alguém que veja tudo isso e imagine como a soberba que minhas palavras exalam está em demasia espalhada aqui. Até agora, na verdade, fiz só um breve comentário de como os "montadores de móveis" estão situados dentro do capitalismo; Pensei muitas outras coisas enquanto via o rapaz agindo mecanicamente para realizar tarefa tão simples. Justifico o mecanicamente: embaixo da cadeira estava escrito algo como: "Junte as duas setas: se isto não ocorrer a montagem estará errada." O sujeito mal se deu ao trabalho de ler para fazer um trabalho decente, foi montando como uma máquina, sem enxergar as peculiaridades (da cadeira!). Olhava aquilo tudo e me perguntava: "Por que, por que este serviço porco?"

Enquanto presenciava aquela cena tragicômica, tentei refletir sobre a minha possível crítica impensada; parei e comecei a dar outros motivos. Eles se assemelhariam a: ele queria realmente passar para o cliente (eu) que tinha plena confiança no que fazia e portanto não leu, pois isso, na cabeça dele, passaria a impressão de que ele não tem experiência. Outro motivo é que ele queria passar para si próprio que tinha experiência, pois como ele havia mesmo me dito, já tinha montado aquela mesa e não havia lido, e que então, possivelmente, havia dado sorte... (essa foi boa, então acho que fui eu é que não dei sorte...). Outra explicação é que ele estava com pressa e quis fazer o serviço logo: me passou pela cabeça que talvez fosse por causa do bilhete único, que provavelmente ele faria a integração. Há coisas mais surreais como ele não ter ido com a minha cara (não pelo fato de ser eu, mas por não ter agido de forma que suscitasse qualquer tipo de comportamento anti-social da parte dele) . Devem haver outros motivos, mas não os imagino agora.

Me deu muita vontade de não falar nada, só para minha mãe ligar para lá e ele levar uma bronca... mas de que adiantaria? Talvez isso não servisse de nada no final das contas. Além do que eu levaria bronca também, já que tive que assistir àquele "espetáculo": ele teve de refazer tudo no final das contas, o que já é bem justo. Teve uma hora que olhei para um dos parafusos e ele estava tão torto, tão nojentamente soterrado na pobre madeira daquela cadeira inocente que me encheu o espírito de uma espécie de horror, de incompreensão, de um sentimento de porquê-as-pessoas-fazem-esses-serviços-porcos-?. Foi daí que surgiram a vontade semi-sádica de fazê-lo desparafusar quase todas as cadeiras que ele havia montado com seus motivos e sua parafusadeira automática e a minha momentânea piedade racional, que quis dar culpa em outros fora o "montador". O que me deixa mais irritado ainda é que mesmo para um serviço tão tolo, ele fez uma merda daquela e ia embora, por que se eu não tivesse visto, ele teria ido pegar sua integração do bilhete único e deixaria aquela microtorre de piza encravada debaixo daquela cadeira. Sorte que o serviço era gratuito, no sentido de que a gente não teve que pagar a mais, por que muito provavelmente o salário desse infeliz estava embutido no preço da mesa, o que também é uma pena, já que por um serviço tão ruim preferia pagar para não fazê-lo...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

O retorno

Novamente a tristeza volta. Cada vez mais forte enxergo o vazio... Houve um desses dias (depois de uma prova, obviamente) vendo as notas vindo, baixas, e por mais que esteja certo um colega meu, de que não devemos nos avaliar como pessoas pelas nossas notas, me sinto deprimido com tudo isso. Mas deve ser por que ainda não achei um significado para minha vida... Fico imaginando se realmente gosto disso tudo. Como já me decidi, se eu reprovar essa matéria novamente eu me transfiro de curso... não quero passar vexame de nome saindo em lista de possíveis jubilados... E acho que não me sinto bem nesse curso... às vezes imagino que estou fazendo isso pelos outros e não por mim, pela impressão de fraco e de covarde que passarei se largar agora... e no final das contas tenho feito isso tudo por que? Se eu disser por gosto será grande mentira... mas e seu largar isso tudo? O que farei depois? A vida tem parecido tão sem motivo... se não fosse pessoas ao meu redor de certa forma me querendo bem, acho que eu não ia querer realmente estar aqui. Daí olho para as outras pessoas, passando nas matérias da sua faculdade, felizes... de vez em quando eu dizia que pelo menos algo eu sabia e de que eu poderia alcançar isso um dia... agora...